peine perdue

22.5.09



[UN TOURNAGE À MONTIGNY]


« En été 1936, Jean Renoir souhaitait tourner un film qui puisse promouvoir Sylvia Bataille, jeune comédienne de 18 ans. Il lui propose des nouvelles de Maupassant , faciles à adapter. "Une partie de Campagne" est choisie. Jean Renoir commence le tournage en été 1936. Cependant, le film ne sortira qu'en 1946.

(…)
La localisation du tournage en un lieu proche de Marlotte a facilité le travail de Renoir et a permis, en plus de collaborateurs familiers et de membres de sa famille (son neveu Claude, son fils Alain...), la participation des amis et des voisins qui apportèrent, une fois encore, un concours bénévole ou rétribué. Des Montignons se souviennent avoir participé ou assisté à ce tournage.

C'est aux familiers qu'il côtoie depuis longtemps qu'il demande de chercher des accessoires : l'ami d'enfance Paul Cézanne, fils du peintre, fournira par exemple les cigarettes d'époque.

(…)
La préparation du film a lieu en mai et juin. Ce n'est pas une mince affaire, le tournage à la campagne multipliant les difficultés. Il faut tout prévoir pour que rien ne manque à la dernière minute (plus de 160 accessoires prévus ), la répartition entre Marlotte, Montigny et les studios où des "raccords" sont tournés ne doit pas être improvisée. De plus des grèves de l'industrie cinématographique retardent début du tournage de près d'un mois. Une huitaine de jours de travail sont prévus. Le premier tour de manivelle est donné le 27 juin après des essais le 25, sous la pluie, et le mois de juillet sera tout aussi pluvieux : les caprices du temps compliquent le tournage, les retards s'accumulent, et la tension monte. Seul le quart du travail prévu dans la semaine peut être réalisé. Le cinéaste su pourtant s'acharner pour que le film se fasse.

(…)
Georges Bataille, mari de la comédienne, dont il est cependant séparé, fait une apparition et figure sous le costume d'un prêtre, incidents imprévus (Alain Renoir s'amuse à se tondre les cheveux à la veille d'interpréter son rôle !). Pourtant le travail se fait sérieusement, en prise de son direct, malgré la ligne de chemin de fer proche (il y avait moins de trains que de nos jours). Les trois premières journées sont consacrées, à mesure que l'on installe le décors, à des plans à l'intérieur de la maison, puis à la danse des balançoires. Du 30 juin au 2 juillet, c'est la conversation des canotiers. La fin, "dans l'île", est tournée le lendemain, jour où le ciel est lourd et plombé, sur la rive, en aval.

Du 7 au 12 juillet, on tourne sans arrêt, avec ou sans Renoir (qui participe à la marche pour la Paix de Vincennes le 9, alors qu'à Montigny ses assistants effectuent des dizaines de prises de vues) et, après 3 jours d'interruption pour la Fête Nationale, les scènes se succèdent jusqu'au 18 juillet. Renoir sait que les heures et les crédits sont comptés et il tourne souvent dans l'urgence, car les contretemps divers stimulent sa boulimie créatrice.

Après quelques derniers plans, chacun se tourne vers d'autres obligations. Renoir ayant du abandonner dès les mois d'Août, appelé par d'autres projets cinématographiques, les assistants Claude Heymann et Jacques Becker terminent des scènes sur l'eau, sans enthousiasme : ils sont persuadés qu'ils ne reverrons pas Renoir sur le tournage, les comédiens sont fatigués et des disputes ont lieu. Renoir, lors d'un rapide passage à Marlotte, engage une vive discussion avec Sylvie Bataille et l'arrêt définitif du tournage est décidé. »

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El artículo completo, en francés, aquí.

La discusión que hubo entre Jean Renoir y Sylvie Bataille giró, sin duda, en torno al trabajo. Pero fue el desamor de ella por él lo que precipitó el abandono del filme y su viaje a Estados Unidos. Poco después, Sylvie pasó de ser Bataille para convertirse en Lacan. La imagen en la que ella aparece (ver fotograma) diciendo toda su pasión sin palabras, -uno de los momentos más insoportablemente hermosos que el cine ha dado-, fue la imagen que Renoir obtuvo de su amor por ella, fue su regalo de amor. Amor no correspondido, imagen sin verso que fue, muy probablemente, la que sedujo a Jacques. Jacques Lacan.

« Si vous comprenez ce que je dis, c'est que je me suis mal exprimé »

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21.5.09

[NADA A VER COM O AMOR]


“— O Homem não vale nada, e a sua memória está cheia de buracos que ele nunca poderá passajar. É preciso, no entanto, fazer muitas coisas que nunca esquecemos. Cada um de nós esquece o seu quotidiano. Comigo, eram todos os móveis a que limpei o pó dia após dia, e a muita loiça que havia para lavar. E como cada qual me sentei para comer a minha refeição, mas como cada qual também era um simples saber de que não há que lembrar, como se não houvesse clima, nem o bom nem o mau tempo. Mesmo o prazer que gozei tornou-se para mim um espaço sem clima, e embora me tenha ficado o reconhecimento pela vida, foram-se apagando os nomes e os traços dos rostos que em tempos significaram prazer e mesmo amor. Desapareceram na transparência de um reconhecimento que já não tem conteúdo. Copos vazios, copos vazios. E no entanto, se não houvesse este vazio, se não houvesse este aquecimento, o inesquecível não poderia desenvolver-se. O esquecimento transporta o inesquecível nas suas mãos vazias, e nós somos transportados pelo inesquecível. Nós alimentamos o tempo, alimentamos a morte com tudo o que foi esquecido. Mas o inesquecível é um presente, é um presente que a morte nos dá, e no momento em que nós o recebemos estamos ainda neste momento aqui, onde nos encontramos, mas ao mesmo tempo estamos já além, lá onde o mundo se precipita na escuridão. O inesquecível é um pedaço do futuro, um pedaço do intemporal com que fomos presenteados antecipadamente, que nos transporta e suaviza a nossa queda nas trevas como se fosse um deslizar. O que se passou entre o Sr. de Juna e eu era um presente de morte, um presente escuro, suave e intemporal; e ajudar-me-á um dia a transportar-me, suavemente levada pela plenitude das minhas recordações. Todos dirão que foi o amor, o amor, até à morte. Mas não, não tem nada a ver com o amor, e ainda menos com o chorrilho sentimental. Muitas coisas se podem tornar no inesquecível, nos podem transportar acompanhando-nos, nos podem acompanhar transportando-nos sem que nunca tenham sido o amor, e sem que nunca se pudessem tornar no amor. O inesquecível é um momento de maturidade, produto de outros infinitos momentos, de infinitas semelhanças que o precederam, infinitamente numerosas, que os transportaram. É o momento em que sentimos que formando somos formados, fomos formados, que existimos. É perigoso confundir isso com o amor.

E foi deste modo que A. entendeu, e também não é de excluir que Zerlina tenha falado assim. Muitas vezes aos velhos acontece falarem num salmodiar por enigmas, e num tal salmodiar é fácil imaginar fantasias, em particular se acontecer numa tarde quente de Verão com as persianas fechadas. “



Hermann Broch, "A Criada Zerlina", versão de António S. Ribeiro com a colaboração de José Ribeiro da Fonte (a partir da tradução de Suzana Muñoz), © Difel

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Gracias, C


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19.5.09

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[O NOME DAS COISAS]


“Nomes e nomes, os nomes dos homens,
os nomes das pradarias, das paisagens, das cidades e tudo quanto foi criado,
nomes pátrios, nomes confortadores na aflição,
os nomes das coisas, criados junto com elas, criados antes dos deuses,
aqueles nomes que sempre ressuscitam com a santidade da palavra,
constantemente reencontrados por quem vele verdadeiramente,
o despertador e fundador divino!
Nunca mais poderá o poeta reivindicar tamanha dignidade,
e mais ainda, mesmo que fosse a derradeira, a essencial missão da poesia
exaltar os nomes das coisas,
sim,
mesmo que ela, na primeira vibração de seus momentos supremos,
tivesse conseguido deitar um olhar à fonte eternamente viva da língua,
sob cuja luz,
nas profundezas,
paira,
intacto e casto,
o verbo das coisas,
a pureza dos nomes no fundo do universo das coisas,
então a poesia talvez fosse capaz de redobrar a criação através da palavra,
porém não lograria reconverter a redobrada numa unidade,
não o lograria,
porque a inversão fictícia , o pressentimento, a beleza,
porque tudo quanto a define como poesia e a transforma em poesia
ocorrem exclusivamente na duplicação do mundo;
o mundo da língua e o das coisas permanecem separados,
dupla a pátria da palavra, dupla a pátria do homem,
duplo o abismo da essencialidade,
mas dupla também a castidade do ser,
e dessa forma, pela duplicação, transmudados em impudicícia, que,
igual a um renascimento sem nascimento,
impregna todo o pressentir tanto como toda a beleza
e traz em si o germe da destruição do mundo,
a impudicícia primigênia do ser, tão temida pela mãe;
impudico é o manto da poesia,
e jamais a poesia se tornará fundação,
jamais se despertará a poesia de seu jogo adivinhador,
jamais o poema chagará a ser oração, oração de verdade,
válida como sacrifício,
oração essa tão profundamente inerente ao genuíno nome das coisas
que para o orante, encerrada na palavra imoladora,
volte a cerrar-se a duplicação do mundo
e que, para ele, só para ele,
palavra e coisa constituam novamente uma unidade...”


A Morte de Virgílio, Hermann Broch, pág. 203 / Editora Nova Fronteira
Tradução de Herbert Caro

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18.5.09

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[LE PARFUM EST UNE COMBINAISON D’AIR ET DE LUMIÈRE]


« Toutes les choses qui tombent par la Forme dans le domaine du sens unique, la faculté de voir, se réduisent à quelques corps élémentaires dont les principes sont dans l’air, dans la lumière ou dans les principes de l’air et de la lumière. Le son est une modification de l’air ; toutes les couleurs sont des modifications de la lumière ; tout parfum est une combinaison d’air et de lumière ; ainsi les quatre expressions de la matière par rapport à l’homme, le son, la couleur, le parfum et la forme, ont une même origine ; car le jour n’est pas loin où l’on reconnaîtra la filiation des principes de la lumière dans ceux de l’air. La pensée qui tient à la lumière s’exprime par la parole qui tient au son. Pour lui, tout provient donc de la SUBSTANCE dont les transformations ne diffèrent que par le NOMBRE, par un certain dosage dont les proportions produisent les individus ou les choses de ce que l’on nomme les REGNES. »

Honoré de Balzac, Louis Lambert

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Notas, apuntes, lecturas. Entrar en la casa Sarno, dejar los zapatos a la entrada, sentir que estamos “haciendo pie”, como a un niño le dicen la primera vez que se sumerge en una piscina, pensar el cine, hacer cine al lado del cine, según la expresión que le es cara a C.

Cita pospuesta, Geraldo Sarno enfermo hoy, su maravilloso Tudo isto me parece um sonho exiliado de las salas de cine. “Nós trabalhamos para ninguém, entendeu?”.

Entendí, Geraldo, pero vamos a hacer que esta tu ópera “O último romance de Balzac” llegue a unos pocos, que no es lo mismo que nadie, que les llegue como me está llegando a mí. Con asombro y cayendo para lo alto.

Mejoras,
Ángel


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17.5.09




[PREFÁCIO]


“O teu círculo e o meu, ao que parecia,
tinham uma região comum relativamente grande.
Confiei cegamente nisso, pois temo a solidão absoluta.
Agora, depois de um abalo emocional passageiro,
estou de novo tranquilo.”

PAUL KLEE – Diários // Martins Fontes Editora / Tradução: João Azenha Jr.

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Era en la librería “Prefácio”, en la calle Volontários, barrio de Botafogo. Había desistido, después de años de búsqueda infructuosa, cuando me encontré con él. Ahí estaba un ejemplar, el último, de mis deseados diarios de Klee, esperándome.

En el pequeño café del primer piso, ella me mostró la imagen de un charco. Recordé entonces lo que me había dicho F. sobre el texto: “es muy húmedo”. Al fin y al cabo, ¿qué se pueden intercambiar dos seres que nacieron bajo el signo de piscis? Agua, agua y la dificultad de vivir en tierra.

“En Beethoven, principalmente da fase mais madura, existem temas que impedem o livre fluir do sentimento interior, dando-lhe forma num cântico fechado sobre si mesmo. Ao se executarem essas obras, é preciso atentar com cuidado para uma questão: o conteúdo psíquico expresso refere-se a alguém, ou existe apenas por si e para si? Quanto a mim, sinto-me cada vez mais propenso a encontrar no monólogo um encanto todo especial.
Pois, em última análise, estamos completamente sós nesta Terra, inclusive no amor.”



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16.5.09




[UN LUGAR DESDE DONDE TRABAJAR]


El enamoramiento nace cuando a una imagen añadimos un texto.

El cine mudo cautivaba así a sus primeros espectadores.

Una imagen sin texto (Lumière) es un amor que no puede decirse.

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Cuando R. me hace escuchar “don’t give up on me” no sé a qué imagen atenerme. Sin imagen, las palabras me aterran.

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Un nombre me persigue (siempre hay una palabra que anda a mi busca). Días de Salomón. El doctor Salomão, psiquiatra; la “rua Capitão Salomão”, en Botafogo; Salomon, mote de Jean-Noël Picq en el “réseau” –la red- (y que Eustache llamaba de “mon salaud”, mon-saló, “mi bastardo”); un libro expuesto nada más entrar en una librería de Leblon, “O cântico dos cânticos do rei Salomão, rei de Israel”; la voz y las palabras de Burke, Solomon Burke.

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C. me escribe, a propósito de blogs: “a escrita que é ainda um esboço, que revela todas as marcas do pensamento e das sensações, que não é literatura mas qualquer coisa ao lado (…)”.

Sí, esa cosa que aún no es literatura, esa belleza que esconden las palabras antes de casarse, de oficializar su unión públicamente… la puedo ver en los otros.

Nadie se reconoce en su propia voz.

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Troppo male offendere il mondo

Trabajar desde ahí o no hacerlo



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1.3.09




[DE LA NECESIDAD DE PROTEGER LA CABEZA]


“Me he estado preguntando cómo puedo
comparar la cárcel en que vivo con el mundo
y, como el mundo es tan populoso
y aquí no hay otro ser que no sea yo,
no soy capaz. Con todo, voy a resolverlo.
Mi mente será la hembra de mi espíritu,
mi espíritu el padre, y los dos engendrarán
una prole de pensamientos fecundantes
que poblarán este mundo en pequeño
de caracteres tan variados como él,
pues ningún pensamiento se contenta.
(…)
Así yo solo en uno hago de muchos,
y ninguno satisfecho. A veces soy rey,
mas la traición me hace que prefiera ser mendigo,
y lo soy. Entonces la aplastante miseria
me hace ver que me iba mejor cuando era rey,
y vuelvo a ser rey, pero inmediatamente
pienso que Bolingbroke me ha destronado,
y ya no soy nada. Mas, sea uno u otro,
ni a mí ni a nadie que sólo sea un hombre
ya nada podrá complacernos si no es
la paz de no ser nada.”


*Que todos los dioses estén mañana contigo, querida Gabriela
(nunca vi yelmo tan hermosamente adornado, y me recuerda
a la flor que salía del casco y que yo lucía en un medallón
cuando jugaba a ser objetor de conciencia)


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